January 16, 2012
#retrospectiva Questões de literatura e propriedade 3

(…) E no mundo da internet, a crítica é cada vez mais desvalorizada como autoritária e coercitiva, porque impõe valores, em parte subjetivos, que não são necessariamente os da maioria. A crítica contradiz o mundo do Eu, o mundo da opinião. Ela pressupõe uma hierarquia subjetiva, um sujeito de autoridade, que supostamente sabe mais que os outros, enquanto a opinião passa a representar a igualdade do que é comum e imediatamente acessível a todos, baseado no gosto e na experiência de cada um, sem hierarquias nem coerções. E, se há um consenso em torno da democracia em todas as esferas sociais, não haveria por que não pensar que a arte também deve ser democrática.

É sintomático, nesse sentido, que a avaliação da literatura, ao contestar a imposição arbitrária de um cânone, tenha passado da análise da dimensão subjetiva das obras para o interesse pela experiência (histórica e biográfica) objetivamente mensurável dos autores. (…)

Bernardo Carvalho em “Em defesa da obra”, ensaio publicado na Revista Piauí No 62 de novembro/2012

January 16, 2012
#retrospectiva Questões de literatura e propriedade 2

A consequência é simples: enquanto tudo for percebido como equivalente, não haverá necessidade de pagar (mais) pela diferença. E se o alcance da diferença é sempre restrito, seu valor, pela lógica do mercado, só pode ser insignificante. O valor da diferença é substituido pelo da quantidade. Hoje, temos acesso a tudo, mas sabemos cada vez menos distinguir uma coisa de outra. E é essa substituição, basicamente, que distingue a escola da internet. E a crítica da opinião. E o que faz da educação um paradoxo dentro dessa nova economia.

Bernardo Carvalho em “Em defesa da obra”, ensaio publicado na Revista Piauí No 62 de novembro/2012

January 16, 2012
#retrospectiva Questões de literatura e propriedade 1

“A exceção nas artes, é imponderável e intransmissível . E está necessariamente ligada a um ideal de individualidade, de subjetividade e de autoria individual. A norma faz parte do domínio da indiferenciação, onde todos se equivalem, podem dançar com pequenas variações, mas conforme a mesma música, determinada por uma série de  regras e diretrizes. Sem querer, ao reivindicar o mesmo reconhecimento dos autores literários, os roteiristas endossam a vocação do mercado, sob a égide da internet, e a tendência crescente de associar valores subjetivos e qualitativos de exceção ao autoritarismo. O único valor possível e democrático passa a ser o do direito à expressão e à opinião, em nome de uma igualdade sem hierarquias, capaz de tornar equivalente tudo o que se escreve, desde um blog, um roteiro de cinema, até um romance de Joyce”

Bernardo Carvalho em “Em defesa da obra”, ensaio publicado na Revista Piauí No 62 de novembro/2012

January 13, 2012
#retrospectiva Questões lítero-afetivas:

Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo

Para além das insinuações de que a vida literária está mais para festa do que para livros, matéria da Piauí de setembro 2011 traz um breve histórico dos eventos literários no país.

Mesmo as noites de autógrafos parecem uma forma de lançamento adaptada da experiência européia (essa teria sido uma novidade sugerida para o lançamento de Depois do Sol, livro Ignácio de Loyola Brandão (1965) por Caio Graco, da editora Brasiliense), popularizando a prática de lançamentos no país.

“Paralelamente, feiras literárias começaram a se tornar comuns no país, num movimento que já se insinuava havia décadas. Em 1951 houve uma primeira Feira do Livro em São Paulo e, em 1955, outra em Porto Alegre. Em 1961 a Câmara Brasileira do Livro (CBL) criou um protótipo da Bienal do Livro de São Paulo, projeto que só se sedimentaria a partir de 1970”.

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