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Para além das insinuações de que a vida literária está mais para festa do que para livros, matéria da Piauí de setembro 2011 traz um breve histórico dos eventos literários no país.
Mesmo as noites de autógrafos parecem uma forma de lançamento adaptada da experiência européia (essa teria sido uma novidade sugerida para o lançamento de Depois do Sol, livro Ignácio de Loyola Brandão (1965) por Caio Graco, da editora Brasiliense), popularizando a prática de lançamentos no país.
“Paralelamente, feiras literárias começaram a se tornar comuns no país, num movimento que já se insinuava havia décadas. Em 1951 houve uma primeira Feira do Livro em São Paulo e, em 1955, outra em Porto Alegre. Em 1961 a Câmara Brasileira do Livro (CBL) criou um protótipo da Bienal do Livro de São Paulo, projeto que só se sedimentaria a partir de 1970”.
Em 1981, por iniciativa da professora Tânia Rösing, surgiria a Jornada de Literatura de Passo Fundo. Ela “sabia que boa parte do público acabaria indo ao evento sem de fato conhecer os autores (…) Meses antes do evento, ela convenceu 250 professores da rede estadual a lerem as obras dos autores que visitariam a cidade. Alguns foram além e promoveram discussões com seus alunos”.
Do encontro inicial, com público de 750 pessoas, o evento cresceu e hoje mobiliza cerca de 30mil pessoas por edição. Hoje Passo Fundo tem a maior média de leitura/habitante do país: 6,5 livros lidos espontaneamente (excluindo o que a escola obriga a ler) frente aos 1,3 nacionais.
Em 2004 viria a Flip, afastando o tom solene e adotando o rótulo de “Festa”. A partir de 2005, essas iniciativas se ampliaram significativamente: Fliporto, FestiPoa, Flimar, Flipiri, etc. E pelos dados do MinC só em 2011 ocorreram 75 feiras literárias no país (projeções para 100 (2012) e 150 (2014)), o que levou a criação do Circuito Nacional de Feiras de Livro.