imprevistos

@zani

“Surge em mim um desejo e uma convicção: sou e de fato sempre fui isso. É importante para o Eu essa afirmação identitária radical e fantasiada: aí o que Freud chamaria um Eu Ideal, espécie de projeção fetichizada de um Eu que teria tido no passado a miragem de sua maravilha que o passar do tempo não teve como manter de pé. Todos nós, pobre mortais, somos seres decaídos por natureza. Subjetivamente viemos daí, de uma fantasia idealizada de si - subjetivamente necessária, fundante e fundamental - pois matriz da formação egoica. Como fazer o luto da ideia de Eu e, mais radicalmente, da ideia de um Ideal?”

Conflitos e violência pela psicanalista Maria Lucia Homem

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2014/10/1526087-conflitos-e-violencia-pela-psicanalista-maria-lucia-homem.shtml 

ou

http://naofo.de/1jdr

"Se fosse possível escolher um final perfeito para o Rio de Janeiro, eu diria: um tsunami num domingo de verão. Quem estivesse na praia de Ipanema ou Leblon veria o mar se arrastar até as Cagarras. Quem estivesse em Copacabana veria o mar secar o caminho até Niterói. O mar abrindo sua própria carne, deixando em exposição e sem ar, por alguns instantes, seus habitantes profundos. Em seguida, esse mesmo mar voltaria como uma onda gigantesca, cobrindo novamente seus seres, mas cobrindo também aqueles que não são do mar. Seríamos todos arrastados, engolidos pela água. Sem pressa, mas com imponência, o mar envolveria a cidade inteira, seus prédios, sua mata, as pessoas, os animais. Só o cume de alguns morros ficaria descoberto: do Dois Irmãos, do Corcovado, do Pão de Açúcar, da Pedra da Gávea." //Granta em Português No 9. Os melhores jovens escritores brasileiros. O Rio Sua, de Tatiana Salem Levy, pág. 286.

Imagem - Pintura da série Terra Incógnita:  ”Panorama da Guanabara”, de Adriana Varejão (Panorama da Guanabara, 2012 óleo sobre tela e resina , 120 x 550 cm)